Apenas um em cada dez portugueses se sente muito ou plenamente satisfeito com a democracia. Segundo um estudo da SEDES, a Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, mais de metade dos cidadãos estão pouco ou nada satisfeitos com o regime político português. De resto, quase quatro em cada dez estão apenas “algo satisfeitos” e menos de um em cada dez diz-se “bastante satisfeito”. Já os muito satisfeitos com a democracia portuguesa, são apenas 2%.
De resto, quase quatro em cada dez estão apenas “algo satisfeitos” e menos de um em cada dez diz-se “bastante satisfeito”. Já os muito satisfeitos com a democracia portuguesa, são apenas 2%.
O regime democrático português é visto como “positivo” no que respeita às liberdades de voto, de associação e de expressão, assim como da capacidade das eleições para recompensar e punir os Governos pela sua actuação.
Há, no entanto, áreas em que a avaliação é muito mais negativa. O funcionamento do sistema político e a forma como se processa a aplicação da Justiça são dois dos pontos mais “críticos” da democracia em Portugal. Por isso não espanta que dois em cada três portugueses se queixem de que diferentes classes de cidadãos recebem tratamento desigual face à lei e até a independência do poder judicial face ao político não é tido como um dado adquirido. O resultado é que maioria se sente desincentivada de recorrer aos tribunais. Portugueses cada vez mais afastados da política Os portugueses sentem também que estão “longe da decisão política”. Mais de dois em cada três eleitores garantem não ter qualquer influência nas decisões políticas, e queixam-se de que a sua opinião não é tida em conta nas opções dos governantes.
Portugueses cada vez mais afastados da política
De resto, outra das “queixas” é a de que “não há sintonia entre aquilo que consideram ser prioritário para o país e aquilo a que os Governos dão prioridade”.
A imagem dos políticos também não é famosa: grande parte dos inquiridos no estudo da SEDES acha que os políticos se preocupam apenas com interesses pessoais.
“Prevalece claramente a ideia de que os eleitos não atendem às expectativas e interesses dos eleitores, e é essa ideia que mais está relacionada com a percepção de uma baixa qualidade geral do regime”, pode ler-se nas conclusões do estudo.
Ainda assim, apesar de a insatisfação ser geral, uma percentagem elevada e estável dos portugueses não admite outro regime que não o democrático. “Portugueses querem ser ouvidos” Os números do estudo da SEDES não surpreendem o presidente desta associação. Campos e Cunha interpreta os dados, afirmando que “mostram que estamos a viver numa democracia madura, mas que as pessoas são mais exigentes. Querem ter democracia económica, querem ter mais participação, querem ser ouvidas, querem ser consultadas. Nesse aspecto, não penso que o cenário seja assim tão negro”. O estudo, que conclui que os portugueses não estão satisfeitos com a qualidade da democracia que têm, vai servir de base para o IV congresso da SEDES que já decorre no Instituto de Defesa Nacional. Por seu lado, o Presidente do Observatório Permanente da Justiça não ficou surpreendido com os resultados do estudo. Boaventura Sousa Santos, diz que falta vontade política para realizar as reformas necessárias no sector da Justiça. O estudo revela também que os cidadãos não estão, na sua maioria, plenamente satisfeitos com a qualidade da democracia portuguesa. O sociólogo Manuel Vilaverde Cabral responsabiliza os dois principais partidos pela situação. Vilaverde Cabral admite que a actual situação vai provocar novamente elevados níveis de abstenção nas próximas eleições. Já na opinião do Professor Adriano Moreira, o estudo da SEDES revela sobretudo falta de confiança no Estado. E foi por não conseguir expressar o seu direito de cidadania e por não ter acesso aos fóruns partidários onde se discutem os principais temas da actualidade, que o portuense Joaquim Jorge decidiu fundar o Clube dos Pensadores. Um fórum por onde já passaram algumas das principais referências de diversos sectores de actividade.Em declarações à Renascença, Joaquim Jorge começa por enumerar algumas dificuldades na organização dos encontros: “se convidar uma pessoa do Porto, isto tem um âmbito regional. Se convidar uma pessoa de Lisboa, já tem estatuto nacional. Isto é assim e eu tive que me adaptar à forma como as pessoas pensam. Faz-me rir”. O responsável pelo Clube dos pensadores lamenta ainda o facto de a nossa democracia não lhe permitir o “direito de ser eleito sem amarras a partidos”.
“Portugueses querem ser ouvidos”
Os números do estudo da SEDES não surpreendem o presidente desta associação. Campos e Cunha interpreta os dados, afirmando que “mostram que estamos a viver numa democracia madura, mas que as pessoas são mais exigentes. Querem ter democracia económica, querem ter mais participação, querem ser ouvidas, querem ser consultadas. Nesse aspecto, não penso que o cenário seja assim tão negro”.
O estudo, que conclui que os portugueses não estão satisfeitos com a qualidade da democracia que têm, vai servir de base para o IV congresso da SEDES que já decorre no Instituto de Defesa Nacional.
Por seu lado, o Presidente do Observatório Permanente da Justiça não ficou surpreendido com os resultados do estudo. Boaventura Sousa Santos, diz que falta vontade política para realizar as reformas necessárias no sector da Justiça.
O estudo revela também que os cidadãos não estão, na sua maioria, plenamente satisfeitos com a qualidade da democracia portuguesa. O sociólogo Manuel Vilaverde Cabral responsabiliza os dois principais partidos pela situação. Vilaverde Cabral admite que a actual situação vai provocar novamente elevados níveis de abstenção nas próximas eleições.
Já na opinião do Professor Adriano Moreira, o estudo da SEDES revela sobretudo falta de confiança no Estado.
E foi por não conseguir expressar o seu direito de cidadania e por não ter acesso aos fóruns partidários onde se discutem os principais temas da actualidade, que o portuense Joaquim Jorge decidiu fundar o Clube dos Pensadores. Um fórum por onde já passaram algumas das principais referências de diversos sectores de actividade.Em declarações à Renascença, Joaquim Jorge começa por enumerar algumas dificuldades na organização dos encontros: “se convidar uma pessoa do Porto, isto tem um âmbito regional. Se convidar uma pessoa de Lisboa, já tem estatuto nacional. Isto é assim e eu tive que me adaptar à forma como as pessoas pensam. Faz-me rir”.
O responsável pelo Clube dos pensadores lamenta ainda o facto de a nossa democracia não lhe permitir o “direito de ser eleito sem amarras a partidos”.