As associações representativas das PME portuguesas reagem com cautela ao anúncio feito ao final da manhã, em Angola, sobre o pagamento das dívidas.
Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das PME, diz à Renascença que os angolanos não têm condições para cumprir esta promessa do seu Presidente.
Augusto Morais diz que angolanos não têm condições para cumprir promessa do Presidente
“Não me parece, pela experiência que nós temos tido, que os angolanos estejam em condições económicas e financeiras para cumprir aquilo que os políticos promete. É mais ou menos o que ocorre em Portugal. São promessas que precisam de ser testadas”, afirma Augusto Morais.
Um pouco mais optimista, José Alves da Silva, presidente da Associação PME Portugal, diz que a notícia pode ter como efeito um aumento das exportações portuguesas para Angola.
José Alves da Silva admite que a notícia pode levar a um aumento das exportações para Angola
“O Governo angolano, com este compromisso de honra, efectivamente, vai desbloquear toda a situação burocrática que está pedir esses pagamentos por parte das empresas angolanas”, sublinha José Alves da Silva.
As grandes empresas, que segundo o Presidente angolano verão as suas dividas pagas nos próximos dois anos, também reagem com uma satisfação moderada.
Ricardo Gomes, presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS), diz que é uma boa noticia, desde que ainda vá a tempo.
Ricardo Gomes diz que há dívidas com "mais de um ano"
“Gostava de recordar que, em muitos casos, as dívidas existentes têm mais de um ano, portanto, para algumas das empresas, apesar desta perspectiva pelo menos permitir enquadrar as suas expectativas, continua a ser relativamente elevado o prazo de espera e não sei se para algumas isso não será demasiado”, adverte Ricardo Gomes.
O Presidente angolano disse hoje que as dívidas de Angola às Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas "talvez" sejam pagas "no prazo de dois meses".
José Eduardo dos Santos falava numa conferência de imprensa com o seu homólogo português Cavaco Silva, que está de visita a Angola.
Sem referir qual o montante em falta, José Eduardo dos Santos adiantou ainda que as dívidas às grandes empresas serão pagas em "40%, inicialmente, e, depois, será feito um reescalonamento por um, dois anos".
Do encontro de hoje saiu também a decisão de se criar um grupo de trabalho conjunto, para analisar de que forma se pode simplificar a atribuição de vistos entre os dois países.