Porque utilizamos a rádio quando estamos em movimento, investigadores como Chris Schmandt do MIT advogam há mais de uma década uma rádio nomádica que transmite programas de acordo com a nossa localização. Um misto de rádio e áudio-guia.
Mas num futuro mais longínquo, a comunicação será mais rica. Será multi-sensorial: a visão, audição, olfacto, tacto e gosto serão utilizados sempre que justificável.
A comunicação de eventos passados e actuais será baseada nos dados captados por uma rede global de sensores (incluindo a participação de cidadãos como sensores humanos) com diferentes resoluções consoante a escala dos eventos. Sistemas de inteligência artificial interpretarão os dados construindo relatórios multi-sensoriais automaticamente. Os jornalistas transformar-se-ão em especialistas na análise e comentário desses relatórios.
Todos terão acesso a um sistema de comunicação pessoal. Esse sistema fornecerá informação vital e ambiental, recolhida em tempo real por sensores implantados em cada pessoa.
Todos terão acesso a um sistema de amplificação de inteligência que utilizará desenvolvimentos de realidade aumentada móvel. Através deste sistema, teremos radiografias anotadas da realidade em tempo real.
Todos farão parte de uma ou mais redes sociais. As redes serão distinguidas pela sua capacidade de contribuição para a amplificação da inteligência de cada um dos seus membros.
A comunicação de eventos futuros será baseada numa nova geração de vídeo-jogos. Estes jogos terão um grau de fidelidade multi-sensorial indistinguível da realidade. As simulações integrarão as opiniões dos cidadãos interessados. Algumas dessas opiniões serão emitidas na forma de apostas em eventos futuros. Deste modo, a leitura da sina ou das cartas (e outros métodos analógicos) será crescentemente substituída por mega-casinos virtuais para prever o futuro.António Câmara