O Presidente da República lembra que há um artigo na Constituição que diz que o chefe de Estado tem de assinar qualquer revisão constitucional.
Foi o único comentário à proposta do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, feito por Cavaco Silva durante uma conversa com os jornalistas durante a viagem para Angola.
A bordo do avião da TAP, o Presidente da República não quis tecer grandes comentários à proposta do líder do PSD sobre a revisão da Constituição Portuguesa.
A ideia de Pedro Passos Coelho passa por reforçar os poderes do Presidente da República de forma a que este possa demitir um Governo sem convocar eleições e um prolongamento do mandato presidencial até seis anos.
Em conversa com os jornalistas, ainda em pleno voo, o chefe de Estado não se quis alongar em conversas sobre política nacional.
Cavaco Silva disse que se ouvia “muito mal”, mas lá foi lembrando que há um artigo que obriga o Presidente da República a assinar a revisão constitucional e sobre esta matéria nem mais uma palavra do chefe de Estado português.
Presidente confiante no pagamento das dívidas de Angola
O Presidente da República está empenhado em resolver o problema das dívidas do Governo angolano a empresas portuguesas. Essa é uma das principais missões que traz Cavaco Silva a Angola.
Numa conversa com o jornalistas, ainda antes de aterrar em Luanda, o chefe de Estado mostrou-se confiante quanto ao desfecho deste problema.
O Presidente terá tido indicações de que algumas dessas dívidas já terão começado a ser pagas, mas defende um plano de pagamento mais expedito para as pequenas e médias empresas que estão em apuros pelo facto de o Governo de Angola estar a falhar com os compromissos assumidos.
Ao que apuramos, o Governo português chegou a propor ao Executivo de Luanda para que usasse a linha de crédito disponibilizada por Lisboa para pagar as dívidas aos empresários portugueses, mas o Angola recusou essa possibilidade.
Sexta-feira junta-se a Cavaco Silva o primeiro-ministro José Sócrates. Os dois vão participar na cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A adesão ou não da Guiné Equatorial à CPLP é o tema mais quente do encontro, mas o Presidente da República não se esquivou a comentá-lo e na conversa com os jornalistas sublinhou que este é o tema sob o qual tem algumas reservas.
Recorde-se que nesta altura vivem 87 mil portugueses em Angola, estão instaladas 800 empresas lusas e que este pais é o quatro parceiro de Portugal a nível mundial e o primeiro fora da Europa.