Ouvido pela Renascença, Pedro Nunes, o bastonário da Ordem dos Médicos, diz que assim não pode ser.
Ordem dos Médicos contra modelo de medicamentos em unidose
“Foi dado aos comerciantes de medicamentos, aos donos da loja, a possibilidade de escolher qual o medicamento que fornecem aos doentes. Deixou de haver controlo sobre a prescrição, controlo de qualidade, deixou de haver fármaco-vigilância, portanto, os médicos seguramente irão tentar evitar esse risco para os seus doentes”, adverte Pedro Nunes.
O bastonário lamenta a opção do Ministério da Saúde, quando havia uma alternativa em cima da mesa, a do “Governo lançar um concurso público e comprar um único produto para distribuir nos centros de saúde e nos hospitais”.
Recorde-se que a venda em unidose faz parte de um acordo entre o Executivo e a Associação Nacional de Farmácias (ANF), assinado em 2006.
O presidente da ANF, João Cordeiro, já disse à Renascença que esta é uma vitória do Primeiro-ministro José Sócrates contra alguns membros do seu Governo.
ANF espera que unidose se alargue a todo o país
“O Primeiro-ministro teve que se envolver nesta legislação, porque havia muita relutância da parte de membros do Governo nesta matéria. O diploma tem algumas limitações, é a título experimental, mas que a partir desta experiencia vai ser possível depois avançar com uma legislação que abranja todo o país”, afirma João Cordeiro.
Para já a medida avança apenas nas farmácias da região de Lisboa, à experiencia por um ano e apenas para medicamentos usados no tratamento de situações agudas.
A indústria farmacêutica contesta e não se responsabiliza pela qualidade dos medicamentos vendidos desta forma, enquanto a bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Elisabete Mota Faria, diz que, à partida, apoia a medida, apesar de ainda haver aspectos pouco claros.