Estrela Serrano falava esta tarde numa conferência sobre os 50 anos da RTP, dedicada à tensão entre o telejornal e a política, onde afirmou que é preferível que os políticos falem com as direcções de informação do que com estagiários.
Porque não há-de poder um governante telefonar a um director de informação para o questionar sobre algo com que não concorda e que foi transmitido num qualquer meio de comunicação social? Porque razão se há-de falar sobre isso com um estagiário e não com o director de uma televisão, rádio, ou jornal? Questões levantadas por Estrela Serrano, vogal do conselho regulador da ERC, mas que nesta conferência falava na qualidade de ex-assessora de Mário Soares nos tempos de Presidente da República.
“Neste momento, felizmente, não há nenhum Presidente, nenhum Primeiro-ministro, que consiga controlar efectivamente um órgão de comunicação social. Pode controlar pontualmente e influenciar uma notícia, pressionar e deve pressionar”, afirma.
“Que problema é que há em um Presidente da República ou um assessor telefonar ao director ou ao editor ou a um jovem… é melhor telefonar ao director do que ao jovem estagiário, que é possível que ainda não saiba bem que isto é um campo de confronto”, sublinha Estrela Serrano.
A voga da ERC acrescenta que, de qualquer maneira, é muito difícil manipular e instrumentalizar redacções nos tempos que correm.
Antes, Joaquim Letria , jornalista e ex-assessor de Ramalho Eanes na Presidência da República, disse que são muitas as maneiras de controlar órgãos de comunicação, como as televisões,
Presentes nesta conferência estavam a administração e direcção de informação da RTP, diversos estudantes da Universidade do Minho, além da moderação de Marcelo Rebelo de Sousa.