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Sindicato contra "regresso ao século XIX"
Inserido em 02-12-2009 23:30



As empresas de grande distribuição querem desregular e aumentar os horários de trabalho, acusa o CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços.

Numa altura em que decorrem negociações para rever o contrato colectivo de trabalho  dos funcionários dos hiper e supermercados, a Renascença falou com o coordenador do CESP.

“A associação propõe adquirir para as empresas o direito de fixar de véspera dos horários de trabalho (…) com isso faz revogar outras normas que estão em vigor e que obrigam as empresas a fixar os horários com 30 dias de antecedência”, denuncia Manuel Guerreiro.

De acordo com o sindicalista, a Associação Portuguesa de Distribuição também propõe um aumento do horário máximo de 40 para 50 horas semanais e que a “adaptabilidade  passe das 40 ou das 50 para as 60 horas” semanais.

O CESP acrescenta que da proposta da Associação Portuguesa de Distribuição pode-se concluir que os trabalhadores passarão a ter apenas um dia de descanso semanal.

Além da questão dos horários, Manuel Guerreiro queixa-se também das propostas de aumento salarial apresentadas pela APED, a associação patronal que representa as empresas de grande distribuição.

“Isto é uma proposta em que as empresas querem tudo para conseguirem muito. Nós no sector dizemos que isto é o regresso ao século XIX, em que os trabalhadores comiam, dormiam e morriam ao pé das máquinas”, sublinha.

Confrontado com esta denúncia, o director-geral da Associação Portuguesa de Distribuição critica o momento escolhido pelo sindicato. António Rosseau sublinha que as negociações ainda agora começaram.

“Isto parece-me no mínimo desleal, porque a negociação começou há uma semana e não faz qualquer sentido, neste momento, estar a avançar para os meios de comunicação social com acusações”, sustenta.

O director geral da APEDE classifica também de “exagero e folclore” a forma como o  Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços descreve as propostas das entidades patronais.

“O Código do Trabalho que está em vigor tem determinadas normas que possibilitam a flexibilidade, a adaptabilidade, dos postos de trabalho e o que nós estamos a propor não é mais nem é menos do que levar para o nosso contrato exactamente os conteúdos que estão no Código do Trabalho e que hoje são lei”, afirma António Rosseau.

Quanto ao aumento salarial de 1% esse é para manter, garante o director-geral da Associação Portuguesa de Distribuição.






               
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