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ETA não tem base em Portugal, afirma Rui Pereira
Inserido em
10-01-2010 15:46
O ministro da Administração Interna põe de lado a hipótese de existir uma base da ETA em Portugal e garante que o Governo está atento a todos os possíveis sinais suspeitos.
Rui Pereira tem estado em contacto permanente com o seu homólogo espanhol, a quem, segundo afirmou à Renascença, perguntou sobre uma possível célula terrorista do grupo separatista basco em Portugal.
“Ele disse-me que não há indícios dessa natureza. O que houve aqui foi uma situação de fuga para território português, que vai ser investigada”, explicou o ministro, que se encontra em Torre de Moncorvo, o local onde os alegados etarras foram detidos e para onde Rui Pereira se deslocou logo de manhã.
Presença da ETA em Portugal
Em Fevereiro de 2009, a
descoberta de um carro com explosivos e matrícula portuguesa
na região de Salamanca levou as autoridades portuguesas e espanholas a desencadear uma investigação conjunta.
A existência de uma célula da ETA no Algarve foi uma das questões levantadas e nunca comprovada.
Alguns especialistas consideram, contudo, que o facto de Portugal fazer fronteira com Espanha implica uma atenção redobrada por parte da polícia lusa.
"Portugal não está livre da ameaça terrorista", alerta o secretário-executivo do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT).
“Nós, com as nossas forças e com a boa cooperação de Espanha, estamos atentos a todas as possibilidades e sinais”, garantiu ainda.
O ministro da Administração Interna, que considera exemplar a actuação da GNR em conjunto com as autoridades espanholas, confirma ainda que os dois indivíduos foram entregues à Polícia Judiciária e que serão agora transportados para Lisboa, onde serão ouvidos no Tribunal Central de Instrução Criminal. Em causa, a sua possível extradição para Espanha.
Na altura da detenção, adiantou Rui Pereira à Renascença, os dois suspeitos tinham documentos falsos com eles.
Suspeitos já foram identificados
Garikoitz García Arrieta e Iratxe Yáñez Ortiz de Barron são as identidades dos dois alegados membros da ETA detidos em Portugal. Ambos fazem parte de uma lista de suspeitos de acções da organização, levadas a cabo em Julho de 2009.
Iratxe Yáñez Ortiz de Barron tem, segundo o Ministério espanhol do Interior, antecedentes por ter reunido informações sobre eventuais alvos políticos, militares ou policiais da ETA.
A sua foto estava incluída na última lista de fotografias distribuídas pelo Departamento do Interior de alegados envolvidos nos atentados de Julho do ano passado em Burgos e Calviá.
Garcia Arrieta conduzia a carrinha com explosivos
O que se passou na última noite foi, entretanto, explicado pelo Ministério do Interior espanhol, em comunicado. O Governo afirma que a carrinha, que era conduzida por Garcia Arrieta e estava carregada com explosivos, levantou suspeitas por ter matrícula francesa, tendo sido interceptada em Bermillo de Sayago (Zamora), num ponto de controlo da Guarda Civil.
Enquanto os agentes inspeccionavam a carrinha o condutor entrou no carro de patrulha policial e fugiu em direcção a Portugal.
Foram de imediato accionados os protocolos de cooperação transfronteiriça, tendo a GNR localizado a viatura cerca de uma hora e 20 minutos depois e detido o condutor.
A segunda suspeita foi localizada pela GNR no município de Vila Nova de Foz, quando viajava com documentação falsa num veículo também com matrícula francesa.
Na carrinha interceptada foram encontrados cerca de 10 quilos de explosivos, bidões e material para fabrico de engenhos explosivos, três armas de vários calibres, documentação variada e matrículas francesas.
No veículo que conduzia Yáñez foram encontrados bilhetes de identidade, passaportes e documentação francesa, um computador portátil e uma câmara digital.
Espanha pede extradição rápida
Afredo Pérez Rubalcaba, ministro espanhol do Interior, pediu ao Primeiro-ministro português a extradição "mais rápida possível" dos dois alegados membros da ETA detidos em Portugal.
"Queremos que Portugal nos entregue os dois elementos da ETA o quanto antes. E disse isso esta manhã ao Primeiro-ministro português, José Sócrates. Claro que tudo tem que ser feito de acordo com a lei portuguesa", afirmou o Rubalcaba, em conferência de imprensa.
O ministro espanhol agradeceu a colaboração de Portugal e de França nas detenções levadas a cabo nos dois países – no sábado, foram detidos em França dois outros alegados membros da ETA, Iñaki Iribarren Galbete y Eider Uruburu Zabaleta, quando se preparavam para retirar dinheiro de um dos esconderijos da ETA naquele país.
"Sabemos o que a ETA está a fazer, mas a ETA também sabe o que estamos a fazer. Se vão aos seus esconderijos encontrarão as forças de segurança. Nas estradas também. As forças de segurança segui-los-ão nos esconderijos, nas estradas, nos seus domicílios", afirmou o ministro.
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"Não há indícios de apontem para uma base da ETA em Portugal"
Rui Pereira confirma entrega dos alegados etarras à Judiciária
Extradição é da competência das autoridades judiciais
Suspeitos possuíam documentos de identificação falsos
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