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Titulares de cargos públicos têm “responsabilidades acrescidas”
Inserido em 08-02-2010 14:51



Para D. Manuel Clemente “quem tem responsabilidades públicas tem um encargo reforçado de justificação”, disse hoje no Porto, sem falar de nenhum caso concreto.

O Bispo do Porto defende a tese de que os titulares de cargos públicos têm uma obrigação acrescida de esclarecer os seus actos, embora não se mostre disponível para comentar o “caso das escutas” que envolvem o Primeiro-ministro no processo “Face Oculta”.
  
D. Manuel Clemente reforça, no entanto, a ideia de que as personalidades públicas têm obrigações maiores. “Quem tem responsabilidades acrescidas, porque é uma personalidade pública, tem obrigações maiores e de coerência. Por isso, é um grande encargo, seja para este Primeiro-ministro ou para qualquer outra pessoa. A maneira como se gere esse encargo... isso não posso responder
por ninguém. Agora, que quem tem responsabilidades públicas tem um encargo reforçado de justificação, ai isso tem", frisou.
 
No entanto, ressalva que o momento de prestar os esclarecimentos "se trata de uma decisão pessoal".

"Era preciso que eu estivesse no lugar dele [do primeiro ministro] e soubesse medir as circunstâncias, porque depois há procedimentos e timings, que têm a ver com a circunstância que quem lá está é que pode gerir. Isso é uma responsabilidade pessoal, é isso mesmo, é pessoal e intransmissível", observou.

D. Manuel Clemente respondia assim aos jornalistas, à margem das Jornadas de Teologia que decorrem na Universidade Católica, Porto, depois de questionado sobre se José Sócrates devia prestar esclarecimentos sobre o alegado plano do Governo para controlar os media.

Pedida comissão de inquérito ao caso

Entretanto, o Bloco de Esquerda quer uma comissão parlamentar de inquérito para se investigar a dimensão política do processo das escutas a José Sócrates e do eventual envolvimento do Primeiro-ministro num alegado plano governamental para controlar grupos de comunicação social.
  
Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, diz que o partido está disponível para debater o tema embora não clarifique qual será o seu posicionamento em relação à comissão de inquérito.

Ricardo Rodrigues, PS, fala em separação de poderes

Já o PCP nada tem a opor a esta comissão de inquérito, embora duvide da eficácia da medida. Quem o diz é António Filipe, deputado comunista.

No plano da Justiça, Paulo Pinto de Albuquerque, professor de Direito da Universidade Católica, defende a reabertura do processo. Na sua opinião, os últimos dados divulgados pelo jornal “Sol”, com o despacho dos juízes da comarca de Aveiro, baseado nas escutas telefónicas, apontam para factos indiciadores de dois crimes.

“Há factos claramente indiciadores da prática de dois crimes gravíssimos: atentado contra o Estado de direito e abuso de poder”, disse.






               
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