José Sócrates garante, numa entrevista à revista “Visão”, que levará o assunto ao Parlamento. Este é aliás o único assunto com o qual se compromete, diz na entrevista, publicada numa altura em que o chefe do Governo indigitado mantém encontros com os restantes partidos, com vista a encontrar soluções de governabilidade para o país. Durante a conversa, os jornalistas da revista quiseram saber quais as matérias que o Primeiro-ministro estaria disponível a abdicar para poder contar com o apoio de alguns partidos, como as obras públicas ou o Código de Trabalho, mas Sócrates recusou sempre responder, alegando que vai iniciar as conversas com os partidos e não deve por isso definir publicamente os limites da negociação. Sócrates admite coligações e espera que o diálogo seja frutuoso, porque, garante, o país precisa de um Governo para quatro anos de estabilidade política. O governante avisa ainda que um partido pode ser oposição sem usar instrumentos políticos que ameaçam a governação. Na entrevista, Sócrates diz ainda que a base da futura governação tem de ser o programa eleitoral do PS, o partido vencedor das eleições. O que é necessário é encontrar compromissos com os restantes partidos com assento parlamentar. Sobre o escrutínio, Sócrates disse à “Visão” que quem tinha na agenda uma desforra pessoal saiu derrotado e quem esperava a sua “morte política fez uma análise prematura”.