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«Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai»: O recém-ordenado
Inserido em
29-06-2010 15:27
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A fechar este ciclo de reportagens dedicados ao Ano Sacerdotal, conversamos com Nuno Fernandes, padre há meros quatro dias.
A entrevista com Nuno Fernandes decorre na sua casa, o Seminário dos Olivais, a 15 de Junho, menos de duas semanas antes daquele que será em breve um dos mais importantes dias da sua vida.
Aos 37 anos, não se pode dizer que a sua caminhada tenha sido simples. Educado numa família católica, afastou-se da Igreja durante a adolescência. O regresso à casa do Pai deu-se através de um convite, e do exemplo de um padre jovem numa terra vizinha: “Fui convidado pelo meu prior para ir a um encontro com outros jovens da vigararia e com um padre novo, que estava responsável pela Pastoral Juvenil. Fiquei como representante da paróquia nessa equipa. Quando nos atribuem responsabilidades não queremos ficar mal, e eu comecei a dedicar-me. Voltei à missa por vontade própria. Já tinha sido acólito e pedi ao meu pároco para voltar a acolitar, comecei todo o renovar de um caminho de fé, e pelo contacto com esse jovem sacerdote, pelo seu testemunho, a sua maneira de estar, tudo aquilo mexeu comigo e a certa altura comecei a interrogar-me: será que também eu não serei chamado a ser como ele?”
Não seria um caminho fácil. Depois de anos de afastamento, as reacções das pessoas à sua volta nem sempre foram favoráveis: “lembro-me que houve amigos e até professores do ensino secundário com quem depois falei e que me disseram ‘não faças isso, não tem nada a ver contigo’. Penso que nessa altura senti maior força para abraçar esta vocação. Era como se tivesse Deus a dizer-me, vai mesmo por aí, porque é aí que te quero.”
A dias da sua ordenação, enumera os receios e as esperanças para esta nova fase: “Do que tenho mais medo é de não ser capaz de ser sempre fiel à oração, porque acho que é na oração que está a base de tudo. Aqui no seminário temos um ritmo propício a isso, mas lá fora esse ritmo é criado por nós, daí esse meu receio de encontrar essa dificuldade de ser fiel à oração. Porque se eu não for fiel à oração tudo o resto acaba por descambar. Mais do que ter medo da solidão, eu posso superar a solidão pela oração, eu posso superar as questões do celibato pela oração, porque a oração está na base de tudo.”
Contudo, estas não são questões sobre as quais não medita também. Ao contrário do que os leigos tendem a pensar, a maior queixa dos sacerdotes não é o celibato, mas sim a solidão. Para além de uma vida de oração disciplinada, há outras formas de combater este problema:
“O Santo Padre quando esteve em Fátima falava muito desta necessidade de estarmos disponíveis uns para os outros. Se há um padre que tem um problema deve sentir-se à vontade para falar sobre ele, se tem uma dificuldade na linha do celibato não a deve viver sozinho, deve ir ter com outro e pedir ajuda. Se vamos estar numa paróquia onde vamos estar a ouvir os mais diversos problemas que as pessoas possam trazer até nós, a certa altura precisamos de ter quem nos possa ouvir também, para nos aliviar da tensão que determinado problema nos possa colocar. Hoje em dia em Lisboa e noutras dioceses, já se vai fazendo um pouco isso, colocando os padres a viver juntos. Isto combate o problema da solidão, e por outro lado depois de um dia com muitos problemas na paróquia tenho ali alguém que me possa ouvir, tenho ali alguém com quem posso partilhar o que foi o meu dia, as minhas dificuldades.”
Leia a reportagem completa na edição de
30 de Junho de 2010 do jornal on-line Página 1
Veja aqui as restantes reportagens da série
Vidas Consagradas
Filipe d'Avillez
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