Pe. João Marques Eleutério
Estava no 11º ano e a pensar seguir medicina quando primeiro sentiu a interrogação vocacional. É sintomático do resto do seu percurso, contudo, a forma como tal ocorreu: “Na altura todos os meus colegas queriam ser médicos, mas eu revoltei-me com as motivações deles, quase todos pelo dinheiro ou pelo estatuto. Essa revolta, associada a questões de fé, fez surgir a vocação”.
Desde cedo, porém, o Pe. João Eleutério revelou uma faceta que o distinguia dos outros seminaristas: “Uma das motivações que me levou a entrar no seminário foi a vontade de continuar a estudar. Acabada a licenciatura em teologia candidatei-me ao mestrado. Na altura era o único candidato e houve pressões para desistir, mas eu insisti”, explica.
Foi convidado a ficar na Faculdade de Teologia como assistente até que lhe propuseram fazer um doutoramento que o levou a viver cinco anos em Paris.
Ao longo de todo este percurso ia confirmando que a sua vocação para o sacerdócio era inseparável da vocação académica e “o encanto que havia na vida de investigação”.
Zelo pela casa do Senhor
O trabalho pastoral, por outro lado, cedo o desencantou: “A experiência da paróquia é de tensão constante. É de certa forma um campo de batalha, onde há lutas absurdas, por exemplo, por uma coisa miserável como é um arranjo floral. Há um confronto com uma certa mesquinhez, a todos os níveis, e confesso que nem sempre tenho muita paciência para aturar essas situações.” Não obstante, de uma coisa tem a certeza. “Mais facilmente abdico da vida académica, que do ministério, mesmo sabendo que não tenho uma concretização dessa vida ministerial como muitos acham que deve ser”, diz. Clandestinidade e liberdade a Oriente Há vários meses o Pe. João partiu para uma nova aventura nesta sua vida sacerdotal e académica. A pedido da Universidade Católica foi para Macau coordenar o curso de Teologia na School of Christian Studies, uma extensão da Faculdade de Teologia portuguesa. Nesta posição lida de perto com a China, cujo regime desconfia fortemente do Cristianismo: “A relação com a China é sempre marcada por ambiguidade, nunca percebemos bem o que o interlocutor está a pensar. Aquilo que sinto neste momento é uma certa abertura, apesar de tudo. Permite-se que alguns padres venham fazer formação em Macau, mas só por duas semanas. O que é muito bom, porque normalmente só permitem uma”, diz a sorrir.Surf, mas sem alienação Toda a vida foi desportista e tenta ao máximo manter a prática depois da ordenação. Em Paço d’Arcos experimentou a vela, depois o windsurf, até que uns amigos o convenceram a experimentar o surf. Reconhece no desporto um lado espiritual, mas aconselha cautela: “há uma espécie de comunhão com a natureza, que nos pode ajudar a sintonizar com aquele mistério do absoluto que é Deus. Mas pode ter uma dimensão de alienação. O Deus cristão faz-nos descobrir sempre a humanidade, e é sobretudo no mistério da humanidade que Ele se quer deixar encontrar.”Leia a reportagem completa na edição de 17 de Agosto do jornal on-line Página 1 e veja o vídeo.Veja aqui as restantes reportagens
Não obstante, de uma coisa tem a certeza. “Mais facilmente abdico da vida académica, que do ministério, mesmo sabendo que não tenho uma concretização dessa vida ministerial como muitos acham que deve ser”, diz.
Clandestinidade e liberdade a Oriente
Há vários meses o Pe. João partiu para uma nova aventura nesta sua vida sacerdotal e académica. A pedido da Universidade Católica foi para Macau coordenar o curso de Teologia na School of Christian Studies, uma extensão da Faculdade de Teologia portuguesa.
Nesta posição lida de perto com a China, cujo regime desconfia fortemente do Cristianismo: “A relação com a China é sempre marcada por ambiguidade, nunca percebemos bem o que o interlocutor está a pensar. Aquilo que sinto neste momento é uma certa abertura, apesar de tudo. Permite-se que alguns padres venham fazer formação em Macau, mas só por duas semanas. O que é muito bom, porque normalmente só permitem uma”, diz a sorrir.Surf, mas sem alienação
Toda a vida foi desportista e tenta ao máximo manter a prática depois da ordenação. Em Paço d’Arcos experimentou a vela, depois o windsurf, até que uns amigos o convenceram a experimentar o surf. Reconhece no desporto um lado espiritual, mas aconselha cautela: “há uma espécie de comunhão com a natureza, que nos pode ajudar a sintonizar com aquele mistério do absoluto que é Deus. Mas pode ter uma dimensão de alienação. O Deus cristão faz-nos descobrir sempre a humanidade, e é sobretudo no mistério da humanidade que Ele se quer deixar encontrar.”Leia a reportagem completa na edição de 17 de Agosto do jornal on-line Página 1 e veja o vídeo.Veja aqui as restantes reportagens