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Bispos de Espanha prometem tréguas a Rei
Inserido em
01-03-2010 14:28
Juan Carlos não será sancionado por assinar a nova lei do aborto, como é obrigado a fazer por lei.
Os bispos de Espanha vieram a público confirmar que não levantarão a voz contra o monarca por este assinar a nova lei que liberaliza o aborto no país.
Antes, os mesmos bispos tinham afirmado que qualquer político católico que votasse favoravelmente o alargamento dos prazos para realização do aborto naquele país, estariam a colocar-se fora da Igreja e por conseguinte não deviam comungar.
Contudo, o bispo Juan Antonio Martinez Camino, auxiliar de Madrid, clarificou que a posição do Rei é diferente: “Que sua majestade o Rei tenha que viabilizar esta lei com a sua assinatura é uma situação única. Nenhum outro cidadão teria de enfrentar isto” pelo que os “princípios gerais” não se devem aplicar a ele.
Já os políticos visados anteriormente tinham uma escolha livre a fazer, explicou.
Esta declaração do episcopado espanhol não impediu que um grupo de activistas pró-vida tenham começado a reunir assinaturas numa petição onde pedem: “Por favor, Sua Majestade, não sancione este novo holocausto com a sua assinatura. Sei a sua assinatura a lei não entrará em vigor. Desta forma, a dor e o sofrimento de milhares de mulheres serão evitados e, mais importante, um número infinito de vidas indefesas será salvo”.
A petição já recolheu dezenas de milhares de assinaturas.
A situação vivida actualmente pelo Rei de Espanha lembra o dilema enfrentado pelo Rei Balduíno da Bélgica, em 1990. Nessa altura o Rei, profundamente católico, recusou assinar a lei. Uma vez que a constituição o obrigava a isso, preferiu abdicar temporariamente durante menos de dois dias, durante os quais um conselho de ministros assumiu os seus deveres e assinou a lei em vez dele.
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