Largas centenas de análises à Gripe A já foram feitas no laboratório do Instituto Ricardo Jorge. É possível que as equipas venham a ser ainda mais reforçadas no Inverno, altura em que se espera um maior número de casos mas, neste momento, as equipas já estão a funcionar de dia e de noite para garantir resposta.
Gripe A: Instituto Ricardo Jorge dá formação na despistagem do vírus - Reportagem de Joana Bénard da Costa
Para descongestionar o laboratório de referência, o Instituto está a dar formação a profissionais de saúde para que outros laboratórios do país também possam fazer a despistagem da nova gripe. No total, vão ser oito, o que vai permitir fazer diagnósticos mais perto do doente e aliviar a pressão no Ricardo Jorge, que vai continuar a ser o laboratório de referência. Desde o início da epidemia, as equipas trabalham dia e noite. Já foram feitas centenas de análises, mas a responsável pelo laboratório, Raquel Guiomar, assegura que o Instituto está a conseguir dar resposta.
Até agora, o Ricardo Jorge foi o único laboratório a despistar a Gripe A. Raquel Guiomar explica o tudo o que acontece desde que o material ali chega enviado pelos hospitais: “As amostras que nos chegam dos hospitais de referência são processadas num laboratório de alto risco, até à inactivação das partículas virais. O que nós fazemos é extrair o RNA viral e detectar zonas específicas que caracterizam esta nova variante da Gripe A H1N1”.
Além de confirmar ou não a presença do vírus, o Instituto Ricardo Jorge vai continuar a fazer o estudo dos casos, a investigar resistências aos medicamentos e a fazer a ponte com a Organização Mundial da Saúde. Vai ainda ajudar e controlar aquilo se passa nos laboratórios associados, para garantir que os procedimentos são uniformes e a qualidade do trabalho, explica Cristina Furtado, da unidade de referência e vigilância de doenças infecciosas do Ricardo jorge .
Até ao momento, em Portugal não foi detectado um único caso de resistência aos medicamentos anti-virais usados para tratar a nova gripe, sublinha Cristina Furtado.
Se for detectado que determinado doente apresenta resistência aos anti-virais, essa informação é logo comunicada ao médico e às autoridades de saúde. O perfil das resistências é uma questões que continua em aberto em relação à Gripe A. Tal como acontece com os grupos de risco, Cristina Furtado diz que é preciso compreender melhor porque motivo este vírus parece gostar mais de gente nova.
Há ainda muitas perguntas sem resposta, ou sem evidência, o que complica a tomada de decisões também a nível político. Questionada se uma pessoa infectada agora com a Gripe A fica com a garantia de que já não tem gripe no Inverno, Cristina Furtado admite que seja criada alguma imunidade no caso de se tratar da mesma estirpe viral.
Aguardam-se mais informações à medida que a pandemia vai alastrando. Portugal continua a ter um número de casos reduzido em comparação com outros países europeus, um atraso que nesta situação é útil para aprender com as experiências dos outros.