A 10ª missão da nave seria um dos momentos mais altos do Programa Espacial norte-americano, mas terminou em tragédia. Foi o voo mais curto de sempre em meio espacial e sete astronautas perderam a vida.
Ao atingir os 14 mil metros de altitude, quando começaram a sair chamas de um dos foguetes, que se soltou, chocando com um dos tanques de combustível. O aparelho deflagrou numa bola de fogo, em forma de Y. O episódio ficou conhecido como "The Big Y".
O mundo reagiu com espanto e horror ao desastre espacial. Larry Young, investigador em ciências espaciais do Massachussets Institute of Technology (MIT), recorda esse dia fatídico.
"Encontra-me de férias a esquiar nas montanhas rochosas e, quando me contaram, achei que era uma brincadeira de mau gosto. Não podia ser verdade. Quando me recompus do choque, havia uma série de questões que se levantavam: como é que o nosso programa espacial vai recuperar de tudo isto? Teremos a força de vontade e de compromisso para ultrapassar isto?", receou o perito.
A explosão do Challenger trouxe à evidência uma série de erros que a NASA nunca devia ter cometido. Larry Young reconhece que, do ponto de vista das políticas de segurança, o Programa Espacial norte-americano sempre se considerou invencível.
Foi essa atitude que, indirectamente, terá estado na origem do segundo momento mais trágico da exploração social. A 1 de Fevereiro de 2003, a desintegração do Columbia à entrada na atmosfera terrestre provou que em quase duas décadas pouco ou nada mudou na política de segurança da NASA. O desfecho foi idêntico: sete astronautas mortos.
“A descoberta mais chocante e ao mesmo tempo frustrante é a de que a NASA cometeu, praticamente, os mesmos erros em termos de política de segurança (…) Havia uma ideia de supremacia no plano espacial norte-americano, a NASA ignorava todos os pareceres técnicos externos à agência. Por exemplo, no caso do Columbia foi desvalorizada a existência de danos ocorridos durante o lançamento, que podiam e deviam ter sido reparados”, lamenta Larry Young, investigador do MIT.
Agora que se projecta a ida do Homem a Marte, a segurança em meio espacial volta à ordem do dia.
Larry Young sugere que uma missão desta envergadura "obriga a que a comunidade científica esteja disponível para assumir o risco de que algo pode falhar".
Para este especialista do MIT, a conquista do Planeta Vermelho poderá acontecer "dentro de 15 anos, mas é necessário que as nações envolvidas disponibilizem os (muitos) meios financeiros necessários para que a missão seja bem sucedida".