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Todos os dias úteis, um tema em destaque no Jornal do Meio Dia. Edição de José Bastos.
Aumento dos “spreads” cria onda de críticas
O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, António de Sousa, admitiu esta manhã uma subida dos “spreads”, que pode chegar a 0,5%.
As reacções não se fizeram esperar, quer do lado das empresas quer do lado do consumidor.
O presidente da Associação Nacional das PME, Augusto Morais, diz que o anunciado aumento dos “spreads” vai fazer aumentar o conjunto de empresas sem capacidade de endividamento.
Nesta altura, avança a associação, 80% das pequenas e médias empresas não têm acesso ao crédito.
Na mesma linha, José Alves da Silva, presidente da Associação PME Portugal, afirma que, perante a crise, a própria banca vai ter dificuldades em conceder crédito às PME.
Crítico face ao anunciado aumento mostra-se também o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP), Luís Lima, segundo o qual esta decisão vai afectar a recuperação que o sector iniciou no final do ano passado.
Ao nível social, o presidente da Cáritas, Eugénio da Fonseca, sublinha que não podem ser as pessoas e, sobretudo, os mais pobres a pagar a crise e lembra que foram as instituições financeiras as principais responsáveis pela crise económica. Apela, por isso, a uma maior regulação por parte do Estado.
A mesma opinião tem Vinay Pranjivan, especialista da Deco, Associação de Defesa do Consumidor, que adianta que os “spreads” mais elevados só se aplicarão aos novos contratos.
Os avisos dos banqueiros nacionais relativamente ao aumento dos “spreads” surgem na sequência da crise financeira que fez disparar a percepção do risco do país por parte dos grandes investidores, o que gerou uma subida das taxas de juro das obrigações do Tesouro e, como consequência, das taxas de juro a que se financiam os bancos e as empresas no estrangeiro.
O economista João César das Neves refere que os bancos estão a reagir de forma muito rápida ao comportamento dos mercados financeiros e João Calado, coordenador do Gabinete de Orientação dos Consumidores, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), admite que a rapidez na acção da banca incomoda os portugueses.
João Calado aconselha, entretanto, a muita prudência no acesso ao crédito.
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