O documento terá apanhado de surpresa o Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, sublinha o Padre Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
“Consta que o Arcebispo de Cantuária foi apanhado de surpresa e que só não foi mais contundente na sua reacção por uma questão de diplomacia e para não ferir nem impedir que se pudesse evoluir neste diálogo entre as duas Igrejas”, refere.
A Igreja Anglicana “atravessa um período crítico”, diz o Padre Peter Stilwell, em que alguns dos seus ramos se mostram divididos por causa de temas sensíveis como a ordenação de mulheres para Bispo ou de homossexuais para o sacerdócio, nos Estados Unidos.
A Constituição Apostólica pode provocar um afastamento entre a Igreja Católica e Anglicana, admite o teólogo.
“Haverá anglicanos que irão aproveitar esta Constituição Apostólica e que ficaram contentes com esta proposta da Santa Sé, mas isso significa que eles deixarão de ser anglicanos, que a Igreja Anglicana fica decapitada, por assim dizer. Ficam dentro da Igreja Anglicana aqueles que estão mais afastados da Igreja Católica e isso sim pode significar um afastamento”, afirma o Padre Peter Stilwell.
“Os que ficam não só têm posições mais contundentes na sua oposição à Igreja Católica, como também ficam feridos pelo facto de sentirem que a Igreja Católica foi pescar em águas da Igreja Anglicana, para buscar os dissidentes, e isso deixa sempre um mal estar em contexto ecuménico. Tudo isso está um pouco no ar para ver como o Papa e o Arcebispo da Cantuária irão navegar essas águas”, sublinha o director da Faculdade de Teologia da UCP.
Na opinião do único Bispo português que integra a Comunhão Anglicana, o encontro do Papa com o Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, pode reforçar o diálogo ecuménico. D. Fernando da Luz Soares, Bispo da Igreja Lusitana, considera positiva esta abertura da Igreja católica aos anglicanos, mas também reconhece que a iniciativa do Vaticano surpreendeu o próprio Rowan Williams.
“A minha primeira reacção quando tomei conhecimento desta atitude do Vaticano, eu considerei-a positiva, porque é melhor que as pessoas que não se sentem bem numa Igreja que vão para uma outra Igreja cristã , do que se vão embora ou então formem pequenos grupos, pequenas outras Igrejas”, diz D. Fernando da Luz Soares.
Bispo da Igreja Lusitana defende que o “diálogo ecuménico tem que continuar”, porque é algo que está relacionado com a “ missão da própria Igreja”.